Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou dificuldades na execução do programa Brasil Sorridente em Campo Grande. O relatório identificou problemas de estrutura e equipes desfalcadas nas unidades avaliadas.
O trabalho foi realizado entre 21 de fevereiro e 9 de abril de 2025, segundo a CGU. A análise abrangeu uma amostra de unidades de saúde da Capital.
O programa é executado em Campo Grande por Equipes de Saúde Bucal (eSB) vinculadas às unidades básicas de saúde. De acordo com o relatório, as falhas encontradas podem limitar os atendimentos oferecidos à população.

Além da composição das equipes e das condições dos equipamentos, a auditoria registrou questões relacionadas aos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), à acessibilidade e aos insumos usados nos procedimentos.
Equipes incompletas e problemas na estrutura das unidades
Em Campo Grande, 78 unidades básicas de saúde têm 167 Equipes de Saúde Bucal (eSB) cadastradas e habilitadas no Ministério da Saúde para atuar no programa. Para a auditoria do Brasil Sorridente, a Controladoria-Geral da União (CGU) examinou 12 unidades, onde trabalhavam 30 equipes.
O relatório registrou afastamentos por atestados médicos e apontou que pelo menos três odontólogos ficaram fora do trabalho durante o período avaliado. As equipes das unidades Iracy Coelho, Parque do Sol e Nova Bahia estavam incompletas.
Segundo a CGU, a jornada dos cirurgiões-dentistas registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) era, em geral, compatível com a carga horária contratada. Ainda assim, os afastamentos sobrecarregavam os profissionais que permaneciam nas equipes e reduziam a oferta de vagas para novos procedimentos.
A Controladoria também identificou compressores odontológicos inoperantes em seis das 12 unidades vistoriadas, o que impedia o uso de equipamentos como micromotor, contra-ângulo e caneta de alta rotação. Salas em reforma exigiam a transferência temporária de profissionais, dificultando o cumprimento das metas de tratamentos finalizados.
Filas nos CEOs, acessibilidade e falta de insumos
Nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), a CGU apontou demora para atendimento e falta de transparência nas filas, que eram administradas pelo Sistema de Regulação (Sisreg), em processo de migração para o e-SUS. O relatório relacionou o problema à suspensão parcial dos atendimentos e ao deslocamento de profissionais para outras unidades, com prejuízo às metas mensais de tratamentos completos.
Quanto ao atendimento de pessoas com deficiência, a auditoria observou que o programa não especificava uma quantidade de horas destinada a esse público. Além disso, os CEOs, que oferecem procedimentos mais complexos do que as unidades de saúde, não eram adaptados para receber essas pessoas.
Profissionais ouvidos pela equipe de auditoria relataram que não havia manutenção preventiva dos equipamentos e que o serviço era feito de forma corretiva. Conforme o relatório, essa alternativa era considerada ineficiente pela escassez de técnicos e pela falta de peças de reposição, e alguns aparelhos permaneciam quebrados por períodos prolongados.
A CGU também registrou relatos recorrentes de falta de insumos ou de materiais considerados de qualidade inferior. Entre os itens mencionados estavam fio de sutura, kits de resina com tonalidades inadequadas e ionômero de vidro.

Especialista com vasta experiência em redação de artigos para sites e blogs, faço parte da equipe do site ProgramaBrasilSorridente.com na criação de artigos e conteúdos de benefícios sociais.