Utilização de serviços odontológicos aumenta, mas desigualdades persistem


A utilização de serviços odontológicos cresceu no Brasil entre 2003 e 2023, passando de 38,7% para 51,6% entre adultos de 35 a 44 anos.

No entanto, as desigualdades socioeconômicas ainda influenciam as condições de saúde bucal da população, especialmente entre crianças de 5 anos.

A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023) revelou que crianças de famílias com maior renda apresentam 40% menos risco de cárie dentária em comparação às de famílias de menor renda.

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Esses dados foram publicados no suplemento especial da Revista Brasileira de Epidemiologia, com 33 artigos disponíveis em Acesso Aberto.

Crescimento na utilização de serviços odontológicos

A utilização de serviços odontológicos no Brasil experimentou um aumento significativo nas últimas duas décadas. Entre 2003 e 2023, a proporção de adultos de 35 a 44 anos que buscou cuidados odontológicos subiu de 38,7% para 51,6%. Esse crescimento é um indicativo de avanços nas políticas públicas voltadas para a saúde bucal, refletindo um maior acesso a serviços odontológicos em diferentes regiões do país.

Entretanto, esse aumento não se dá de maneira uniforme. Enquanto a utilização de serviços odontológicos por adultos melhorou, as desigualdades socioeconômicas ainda são evidentes, especialmente quando se considera a renda familiar e o nível de escolaridade dos indivíduos.

Desigualdades socioeconômicas e saúde bucal

Apesar do crescimento geral na utilização de serviços odontológicos, as desigualdades sociais persistem, influenciando diretamente a saúde bucal da população. Dados revelam que as crianças de 5 anos provenientes de famílias de maior renda apresentam cerca de 40% menos risco de desenvolver cáries em comparação com aquelas de famílias de menor renda. Esse padrão reflete a continuidade das disparidades sociais, que afetam a qualidade e a frequência de cuidados odontológicos recebidos por diferentes segmentos da população.

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Além disso, o estudo também revelou que entre a população idosa, cerca de 36,48% dos indivíduos com idades entre 65 e 74 anos apresentavam perda de dentes naturais, e mais de 70% necessitavam de prótese dentária. A concentração de necessidades de tratamento e cuidados em certos grupos socioeconômicos sinaliza a urgência de políticas específicas que abordem essas desigualdades.


Resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal

A pesquisa conduzida pela Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), que entrevistou mais de 50.800 pessoas ao longo do país, trouxe à luz dados cruciais sobre as condições de saúde bucal e a utilização de serviços odontológicos. O levantamento é uma iniciativa que visa traçar um panorama da saúde bucal, proporcionando informações importantes para a formulação e avaliação das políticas públicas de saúde no Brasil.

O suplemento especial da Revista Brasileira de Epidemiologia (Epidemio) inclui 33 artigos revisados por pares, que exploram essa realidade, destacando tanto os avanços registrados quanto os desafios permanentes enfrentados nas áreas de saúde e assistência odontológica. O conhecimento gerado por esses estudos tem o potencial de orientar ações e políticas de saúde mais eficazes, alinhadas às necessidades da população.

Impacto das políticas de saúde na odontologia

A melhoria na utilização de serviços odontológicos é em grande parte resultado das estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde e pela Coordenação-Geral de Saúde Bucal. Programas voltados para a saúde coletiva têm se mostrado eficazes na redução da cárie dental e na promoção de hábitos de higiene bucal, mas ainda há um longo caminho a percorrer para eliminar as disparidades.

As diferenças persistentes nos padrões de utilização de serviços odontológicos por diferentes faixas de renda e escolaridade indicam a necessidade de um esforço contínuo para alcançar uma equidade verdadeira em saúde bucal. A elaboração de políticas públicas que garantam acesso igualitário a serviços dentários é fundamental para que todos os cidadãos tenham a oportunidade de obter cuidados adequados, independentemente de sua condição socioeconômica.